Observação e ordem: “rascunhos” a uma Epistemologia do (com)plexus

  • Leo Peixoto Departamento de Antropología, Universidad de Chile

Resumen

O debate sobre observação e ordem proposto neste artigo, fruto de pesquisas teóricas nos campos da epistemologia construtivista e complexa e da teoria sistêmica, parte de uma discussão “não clássica” do debate filosófico-epistemológico sobre observação. Centrando-se em reflexões de caráter mais propriamente epistemológico que filosófico, este artigo dá relevo aos avanços obtidos pelo próprio conhecimento científico contemporâneo, de modo interdisciplinar, considerando disciplinas tais como a física da termodinâmica, a ciências da cognição, a biologia evolucionista, a sociologia dos sistemas sociais. Em outros termos, antes de pretender fazer qualquer filosofia da ciência, faz, mais propriamente, uma espécie de ciência filosófica. O artigo apresenta como coluna dorsal, que lhe dá sustenta a toda argumentação ao longo de seu desenvolvimento, a problematização reflexiva que envolve os conceitos de observação, observador e observado, com as noções de ordem e desordem, essenciais para construção da realidade, tida (e vista) como “objetivada”. Especificamente ele busca, a partir dessas categorias, propor um esboço geral –alguns “rascunhos”– de como a “realidade” se apresenta e se estabiliza de forma interativa e complementar, mas sempre precária e contingente, envolvendo a permanente indeterminação/determinação construtivista.

Citas

Aristóteles (1969). Metafísica, Vol. VII. Porto Alegre: Globo.

Arnold, M. (2004). Introducción a las epistemologías sistémico construtivistas. In F. Osorio (Ed.), Ensayos sobre socioautopoiesis y epistemología constructivista (pp. 7-15). Santiago de Chile: Ediciones Mad.

Bloor, D. (1984). Contemporary Perspective on the Sociology of Knowledge. In Sociology and Knowledge (pp. 51-75). London: New Brunswick.

Brandao, G. (2017). A acerca do conceito de sistema: da totalidade ao olho do observador. In L. Rodrigues & Fabrício Neves (Eds), Sistemas sociais: ensaios teóricos (pp. 35-60). Porto Alegre: EdiPUCRS.

Collins, H. M. (1983). An Empirical Relativist Program in the Sociology of Scientific Knowledge. In K. Knorr-Cetina & M. Mulkay (Eds.), Science Observed - Perspectives on the Social Study of Science (pp. 85-113). Beverly Hills: Sage.

Dawkins, R. (1998). A escalada do monte improvável. Sao Paulo: Cia da Letras.

Debrun, M., Gonzalez, M., & Pessoa Jr., O. (1996). Auto-organização: estudos interdisciplinares. Campinas: UNICAMP.

Deleuze, G. & Guattari, F. (1995). Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 1. Rio de Janeiro: Editora 34.

Feyerabend, P. (1989). Contra o método. Rio de Janeiro: Francisco Alves.

Foerster, H. von. (2003) Undertanding Undertanding. Essay on Cybernetics and Cognition. New York: Springer-Verlag.

Foerster, H. von. (1979). Cybernetcs of cybernetics. In. K. Krippendorff (Ed.), Communication and Control in Society (pp. 5-8). New York: Gordon & Breach.

Foerster, H. von. (2006). Las semillas de la cibernética. Barcelona: Gedisa.

Galfard, C. (2016). O Universo em suas mãos. Rio de Janeiro: Casa da Palavra.

Hacking, I. (2005). El surgimiento de la probabilidad. Buenos Aires: Gedisa.

Hacking, I. (2012). La domesticación del azar. Buenos Aires: Gedisa.

Heisenberg, W. (1959). Física y filosofía. Buenos Aires: La Isla.

Heisenberg, W. (2011). A descoberta de Planck e os problemas filosóficos da física atômica. In M. Born, P. Auger, E. Schrödinger, W. Heisenberg, Problemas da física moderna (pp. 9-28). Sao Paulo: Perspectiva.

Horgan, J. (1998). O Fim da ciência: uma discussão sobre os limites do conhecimento científico. Sao Paulo: Companhia das Letras.

Hume, D. (1988). Investigación sobre el conocimiento humano. Madrid: Alianza.

Ingold, T. (2012). Trazendo as coisas de volta à vida: Emaranhados criativos num mundo de materiais. Horizontes Antropológicos, 18(37), 25-44

Knorr-Cetina, K. & Mulkay, M. (Eds.) (1983). Science Observed - Perspectives on the Social Study of Science. Beverly Hills: Sage.

Koestler, A. (1981). Jano: uma sinopse. Sao Paulo: Melhoramentos.

Krauss, L. (2013). Um universo que veio do nada. Sao Paulo: Paz e Terra.

Kuhn, T. (2011). Tensão essencial. Sao Paulo: UNESP.

Laclau, E. & Mouffe, C. (1985). Hegemony & Socialist Strategy: Towards a Radical Democratic Politics. London: Verso.

Lakatos, I. & Musgrave, A. (Eds.) (1979). A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. Sao Paulo: Cultrix.

Lakatos, I. (1993). La metodología de los programas de investigación científica. Madrid: Alianza.

Latour, B. & Woolgar, S. (1986). Laboratory Life: The Construction of Scientific Facts. New Jersey: Princeton University Press.

Luhmann, N. (1990). Essays on Self-Reference. New York: Columbia Press.

Luhmann, N. (1998). Sistemas sociales: lineamentos para una teoría general. México DF: Anthropos.

Luhmann, N. (1999). La distinción Dios. In J. Torres (Ed), Niklas Luhmann: teoría de los sistemas sociales (artículos) (pp. 167-188). Osorno: Universidad de Los Lagos/Universidad Iberoamericana.

Luhmann, N. (2007). La sociedad de la sociedad. México DF: Iberoamericana/Herder.

Magee, B. (1979). As ideias de Popper. Sao Paulo: Cultrix.

Maturana, H. (1999). A ontologia da realidade. Belo Horizonte: UFMG.

Maturana, H. & Varela, F. (1980). Autoposieis and Cognition: The Realization of the Living. London: D. Reidel Publishung Company.

Maturana, H. & Varela, F. (1997). De máquinas e seres vivos - Autopoiese: a organizacão do vivo. Porto Alegre: Artes Médicas.

Moser, P. (2002). The Oxford Handbook of Epistemology. New York: Oxford.

Nunes, J. & Roque, R. (Eds.). (2008). Objetos impuros: experiência em estudos sobre a ciência. Porto: Afrontamento.

Popper, K. (1974). A lógica da pesquisa científica. Sao Paulo: Cultrix.

Popper, K. (1974a). A sociedade aberta e seus inimigos. Belo Horizonte: Itatiaia, Sao Paulo.

Popper, K. (1977). Autobiografia intelectual. Sao Paulo: Cultrix, Ed. Universidade de São Paulo.

Prigogine, I. (1996). O fim das certezas. Sao Paulo: Unesp.

Rodrigues, L. & Neves, F. (2012). Niklas Luhmann: a sociedade como sistema. Porto Alegre: EdiPUCRS.

Rodrigues, L. & Neves, F. (Eds). (2017). Sistemas sociais: ensaios teóricos. Porto Alegre: EdiPUCRS.

Rodrigues, L. & Neves, F. (2017a). A Sociologia de Niklas Luhmann. Petrópolis RJ: Vozes.

Rodrigues, L., Neves, F., & Anjos, J. (2016). A contribuição da Sociologia à compreensão de uma epistemologia complexa da Ciência contemporânea. Sociologias Porto Alegre, 18(41), 24-53.

Rusell, B. (1982). História da filosofia ocidental. Sao Paulo: Editora Nacional.

Schrödinger, E. (1997). ¿O que é vida? Sao Paulo: UNESP.

Spencer-Brown, G. (1972). Laws of Form. New York: The Julian Press.

Turing, A. (1936). On Computable Numbers, with an Application to the Entscheidungsproblem. Proceedings of the London Mathematical Society, 42(1), 230-265.

Uexküll, J. (1909). Umwelt und Innenwelt der Tiere. Berlin: Springer.
Compartir
Cómo citar
Peixoto, L. (2017). Observação e ordem: “rascunhos” a uma Epistemologia do (com)plexus. Revista Mad, (37), 91-112. doi:10.5354/0718-0527.2017.47277
Sección
Artículos
Publicado
2017-09-11